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Arquivo de: Junho 2008, 21

21.06.08

E AGORA, JOSÉ? (Parte 4 - Final)

CULTURA

www.sacredsound.com.br

Nas postagens anteriores, vimos duas razões fortes que explicam a escassez de referências a José nos documentos cristãos da época. Ao motivo biográfico - a sua possível morte, antes de Cristo se tornar um homem público -, e a outro, que consideraremos como sociológico (o rompimento dos laços sociais, pelo próprio Jesus), acrescentaremos um terceiro fator, de ordem teológica.
Há de se considerar que os primeiros cristãos reputavam a Jesus de Nazaré como o Messias. Dessa perspectiva, era comum eles considerarem-no como o "Filho de Deus", ou então, o "Filho de Davi", mas não como o descendente de José.
No final do primeiro século, quando os evangelhos foram reduzidos à forma escrita, o Mestre galileu era adorado como Deus, na igreja. Prevaleceu, portanto, a interpretação paulina, que preconizava ser Jesus o Cristo (isto é, "O Ungido"), enviado para salvar toda a humanidade, e não apenas a nação hebraica.

A História

Após a crucificação em cerca de 30 AD, Tiago, Pedro e os outros apóstolos formaram o núcleo do que viria ser a igreja. Na visão deles, Jesus viera para libertar os judeus do Império Romano; assim, ele era o Messias prometido nas veneráveis profecias do Velho Testamento. Daí, freqüentemente, essa ala inicial do Cristianismo se referir ao Mestre como o "Filho de Davi", em virtude deste rei ter sido o grande herói da nação, no passado - de fato, foi o seu primeiro "Messias". (cf. Atos 2:30; 15:13-16).
Logo em seguida, Paulo ampliou o conceito, ao livrar os gentios (isto é, os não-judeus) da obediência irrestrita aos costumes do Judaísmo (como a circuncisão). Possibilitou, então, que outros povos pudessem abraçar a nova fé, até então limitada ao berço do Judaísmo. Paulo deu os primeiros passos para que o Cristianismo se firmasse como uma religião mundial, com identidade própria. Para ele, Jesus era o próprio Deus em forma humana; por isso, utilizava constantemente o título "Filho de Deus", para denotá-lo em suas cartas - embora também reconhesse a sua linhagem davídica (cf. Atos 13:22,23, 33-35; Romanos 1:3).
Se Tiago e os demais apóstolos consideravam a Jesus como ser divino, é assunto de acalorada discussão entre os historiadores. Por certo, nos Atos dos Apóstolos há boas evidências de que Tiago também cria que seu irmão era o filho de Deus, no sentido literal do termo.
A discussão tem sua razão de ser no fato de que os antigos judeus sempre acreditaram em um único Deus - Jeová -, embora esperassem a vinda de um Messias que lideraria a vitória final da nação sobre os seus inimigos, principalmente sobre os romanos opressores. Esse "Messias" poderia ser um rei, como o haviam sido Davi e Salomão.
Portanto, é certo que nenhuma das duas alas, a de Tiago ou a de Paulo, frisava a filiação terrena de Jesus. Os vários títulos honoríficos empregados na sua adoração ou nos contatos com outras pessoas introduziam-no sempre como o "enviado de Deus", e não como o descendente do carpinteiro.
Quando os evangelhos foram compostos, carregaram consigo essa tendência. É por isso que Marcos começa assim: "Princípio do evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus", ao invez de citar José. A omissão ocorre mesmo com o livro sendo a descrição da vida de um homem judeu, povo que costumava prezar as relações genealógicas de descendência. Mas esse texto, datado de cerca de 70 AD, não toca no nome de José prá nada.
Mateus e Lucas são mais completos, pois contêm narrativas do Natal nas quais José é um personagem ativo; posteriormente, porém, ignoram-no por completo nos seus relatos.
João, que foi escrito mais tarde, lá pelo fim do século 1, foca de raspão as querelas que estouravam quanto à origem suspostamente ilegítima do Nazareno. Os judeus criaram o boato de que este nascera de um ato adúltero de Maria. Assim, numa discussão violenta com Jesus, João 8:41 conserva a crua resposta deles: "Nós não somos nascidos de prostituição". Como, evidentemente, essa era uma insinuação muito grave, o quarto evangelho fez constar as duas menções a José em 1:45 e 6:42, garantindo que Jesus teve, sim, um pai hebreu. (Provavelmente os redatores do evangelho de João não queriam repetir as histórias da infância, que Lucas e Mateus já tinham escrito; ou então, não tiveram acesso à essa parte da história. Daí as duas rápidas referências a José, as quais serviam bem ao propósito de enfatizar o nascimento honroso de Jesus).
Portanto, a necessidade de salientar a procedência divina de Cristo induziu os escritores cristãos do primeiro século a obscurecer relativamente a importância de José - um motivo de ordem teológica.

Conclusão

Por todas essas razões estudadas - biográfica, social e teológica -, José só é mencionado nos trechos de Lucas e Mateus que narram o nascimento e a adolescência de seu filho. Ainda assim, não se fala realmente nada de sua vida, enquanto pessoa. Os evangelistas não se distendem sobre ele. José somente é citado quando em conexão com aquele que era o personagem central, Jesus de Nazaré.
Por outro lado, há de se conceder que não seria normal, em seus dias, Jesus ser tratado por seus contemporâneos com um formal: "Filho de José". Não é assim que as pessoa se tratam, usualmente. Por certo que existe o caso do cego Bartimeu, que gritava: "Jesus, filho de Davi" (Marcos 10:47). Mas esta era uma situação atípica, em que aquele mendigo queria receber algo; assim, ele se utilizou de uma expressão bajuladora.
Por ocasião da entrada triunfal em Jerusalém, uma designação semelhante lhe foi atribuída por uma multidão de adeptos entusiasmados. Porém, como podemos facilmente imaginar, normalmente Jesus não seria chamado pelos amigos e pela sua família, a todo instante, como "filho de José"! Logo, é provável que a raridade desse vocativo nos evangelhos seja um reflexo de uma situação real: Cristo era costumeiramente chamado apenas pelo seu "nome normal", tal como ocorre ainda hoje entre nós. Deve-se notar que "Jesus" era um dos nome hebraicos mais comuns, à época.
Já seus discípulos bem, como as demais pessoas estranhas, denominavam-no "Mestre" ou "Rabi", e até mesmo um reverente "Senhor". O próprio Jesus gostava de reivindicar para si o título "Filho do Homem", expressão messiânica que vem do livro do profeta Daniel, no Velho Testamento.
Do exposto, segue-se que por razão de lógica histórica, era de se esperar que o vocativo "Filho de José" não ocorresse com tanta frequência nos documentos cristãos antigos que pretendem informar sobre a vida de Jesus. Contudo, isso não minimiza o fato de que o pai do Nazareno desaparece totalmente desses registros, após cumprir o seu dever pátrio para com a criança sagrada.
(Final)

KT TUNSTALL

ROCK GERAL

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A cantora, guitarrista e compositora KT Tunstall será uma das atrações da Via Funchal em 15 de outubro de 2008. A artista ficou conhecida pelo sucesso “Suddenly I See”, música de seu disco de estréia, que caiu no gosto do público e tornou-se hit nas FM brasileiras.

O repertório do show é baseado no segundo e mais recente disco de KT, “Drastic Fantastic”, porém não deverão faltar músicas de todas as fases de sua carreira.

KT Tunstall é uma compositora com sangue chinês e coração escocês. Com letras fortes, melodias objetivas e interpretações emocionais, logo conquistou seu lugar na cena de artistas contemporâneos escoceses, que inclui nomes como Texas, Fran Healy, Teenage Fanclub e The Beta Band.

Seu primeiro álbum, “Eye To The Telescope”, somente nos Estados Unidos, vendeu mais de 1 milhão de cópias, sucesso repetido em diversos países. “Drastic Fantastic” manteve a receptividade e estreou com o 3º mais vendido no mercado britânico.